PT mira 500 mil eleitores ausentes para tentar reduzir vantagem de Flávio Bolsonaro em Mato Grosso


Após perder mais de 52 mil votos em relação a 2022, partido aposta na redução da abstenção e na conquista de novos apoiadores para fortalecer Lula no segundo turno.

Por Luiz Carlos Bordin

PT mira 500 mil eleitores ausentes para tentar reduzir vantagem de Flávio Bolsonaro em Mato Grosso

Assessoria

O Partido dos Trabalhadores (PT) prepara uma mobilização em Mato Grosso para tentar diminuir a ampla vantagem eleitoral de Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. A estratégia tem como um dos principais alvos cerca de 500 mil eleitores que deixaram de votar no primeiro turno, além de pessoas que apoiaram candidatos que não avançaram para a etapa decisiva da eleição. A mobilização foi anunciada pela presidente estadual do PT, Rosa Neide, que reconheceu a preocupação da legenda com a redução da votação de Lula no Estado. A dirigente defende ações presenciais e contato direto com a população para ampliar a participação nas urnas e conquistar novos apoios.

Lula perdeu mais de 52 mil votos em Mato Grosso

Os números eleitorais evidenciam o tamanho do desafio enfrentado pelo PT. Em 2022, Lula recebeu 633.748 votos em Mato Grosso, o equivalente a 34,39% dos votos válidos. No primeiro turno de 2026, foram 581.681 votos, correspondentes a 29,18%. A diferença representa uma redução de 52.067 votos e de 5,21 pontos percentuais em relação à eleição presidencial anterior. Enquanto Lula perdeu espaço, Flávio Bolsonaro obteve 1.298.581 votos no Estado, alcançando 65,15% dos votos válidos. Com isso, abriu uma vantagem de 716.900 votos sobre o candidato petista. Diante desse cenário, a campanha de Lula terá de ampliar significativamente sua votação para diminuir a distância em Mato Grosso.

Abstenção entra na estratégia petista

O PT pretende investigar por que aproximadamente 500 mil eleitores não compareceram às urnas no primeiro turno e desenvolver ações para estimular a participação na votação decisiva, prevista para 25 de outubro. Segundo Rosa Neide, a intenção é intensificar o diálogo com a população e promover uma convocação pública para que os eleitores retornem às urnas. A mobilização deverá envolver municípios de diferentes regiões do Estado, incluindo Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Sinop, Alta Floresta e Barra do Garças. Estudantes e idosos também estão entre os públicos que o partido pretende alcançar. Entretanto, a quantidade de eleitores ausentes não representa votos automaticamente disponíveis para Lula. A estratégia dependerá tanto da capacidade de convencer essas pessoas a votar quanto de conquistar a preferência de parte delas.

Partido também busca votos de outros candidatos

Além de tentar reduzir a abstenção, os petistas pretendem dialogar com eleitores que escolheram candidatos eliminados no primeiro turno. A intenção é alcançar segmentos que ainda não definiram apoio para a etapa final da disputa presidencial, especialmente em um Estado onde Flávio Bolsonaro conquistou ampla maioria dos votos válidos. Outra frente será a discussão sobre as propostas econômicas dos candidatos. Rosa Neide criticou possíveis cortes no orçamento federal e argumentou que reduções de despesas podem afetar investimentos em programas sociais, saúde e educação. A avaliação faz parte do posicionamento político da dirigente. Os efeitos de eventuais ajustes nas contas públicas dependerão das medidas concretas adotadas e das áreas atingidas.

Desafio eleitoral continua elevado

Com a votação marcada para 25 de outubro, o PT tenta transformar a mobilização de eleitores ausentes e a busca por novos apoios em uma reação eleitoral em Mato Grosso. A diferença registrada no primeiro turno, porém, mostra que a tarefa será difícil. Mesmo recuperando os votos perdidos em comparação com 2022, Lula ainda precisaria conquistar um contingente expressivo de novos eleitores para reduzir a vantagem de Flávio Bolsonaro. O resultado do segundo turno deverá mostrar se a estratégia de mobilização será suficiente para alterar o cenário eleitoral no Estado, onde a candidatura do PL saiu da primeira votação com uma vantagem superior a 700 mil votos.